Após 14 anos da tempestade que deixou desolados milhares de fãs em todo o Brasil, Renato Russo não está morto.Até hoje a Legião Urbana é considerada a melhor banda de rock do Brasil. As letras poéticas de Renato Russo, aliadas às melodias simples da banda, até hoje emocionam milhares de legionários. Este blog é uma homenagem de um legionário que cresceu ouvindo essa banda e tem muito para contar, muitas informações, comentários, opiniões pessoais, fatos, lembranças e histórias... Urbana Legio Omnia Vincit. Força sempre!
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Legião Urbana vive!
Após 14 anos da tempestade que deixou desolados milhares de fãs em todo o Brasil, Renato Russo não está morto.terça-feira, 19 de outubro de 2010
Um resumo de UMA LEITURA PÓS-MODERNA DA OBRA DE RENATO RUSSO
Talvez o resumo da monografia explique:
RESUMO
Com esta monografia pretendemos mostrar a importância da obra de Renato Russo como vocalista e letrista da banda brasileira de rock'n'roll Legião Urbana dentro do contexto do mundo pós-moderno, cujo sujeito encontra-se fragmentado numa sociedade pluralista; esta mesma sociedade passa por diversas transformações nos séculos XX e XXI, afetando os diversos setores da nossa sociedade. Mudanças essas que têm o seu reflexo na política, na economia, na literatura, na música, na pintura, enfim, nas artes em geral. Dentro desse contexto, a Legião Urbana emergiu e sua obra torna-se referência para a arte contemporânea. Assim, será analisada a obra poética de Renato Russo pelo viés pós-moderno, a partir da construção da identidade, da fragmentação da sociedade contemporânea e da voz do marginal e das minorias, em especial das mulheres. Será visto ainda como o hibridismo, o hiper-real, a metonímia e a paródia estão presentes no poema épico contemporâneo “Faroeste Caboclo”. Para este trabalho foram utilizadas obras de teóricos que tratam sobre a pós-modernidade, tais como Linda Hutcheon, Perry Anderson, Steven Connor, David Harvey, Zigmunt Bauman, Stuart Hall, entre outros; e livros específicos sobre a vida, os pensamentos, as ideias e a análise das letras de Renato Russo, que nos ajudarão a fazer o paralelo entre as principais questões pós-modernas e a poética do poeta contemporâneo.
Palavras-chave: Renato Russo, Legião Urbana, Pós-moderno, Pós-modernidade.



Uma Leitura Pós-Moderna da Obra de Renato Russo



Voltando a postar...
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Cedo demais...
Era um dia de sol. Acordei um pouco triste. Tudo que eu via me deixava melancólico.
Eu já morava em Vassouras (sou carioca), e precisei ir ao Rio naquela semana para resolver minhas pendências com o serviço militar (graças a Deus conseguira ser dispensado por excesso de contingente). Por isso estava lá, na casa de uma família amiga, e me arrumava para voltar para Vassouras.
No trem, eu me sentia muito estranho, triste, parecia que algo havia acontecido. Quando desembarquei em Paracambi, passei perto de um bar e ouvi, no rádio, alguém falando de Renato Russo e logo em seguida tocou uma canção em italiano. Senti um aperto no coração, não sabia o motivo. Depois peguei o ônibus que faz a linha Paracambi-Vassouras e a viagem de pouco mais de uma hora me deixou melancólico. Cheguei a Vassouras aproximadamente às 14 horas. Saí do ônibus e me encaminhei para minha casa. A cidade, o meu bairro pareciam um grande deserto. Não me encontrei com ninguém, eu parecia o único sobrevivente de Vassouras a andar pelas ruas. Senti medo, apreensão; meu coração, não sabia por que, batia acelerado, angustiado...
Entrei em casa correndo, e só havia silêncio. Encontrei minha mãe em outro cômodo e perguntei, olhando para o seu rosto de preocupação: “Mãe, o que aconteceu?”
Ela olhou para mim com tristeza e me perguntou se eu ainda não sabia o que havia acontecido. E eu: “O que aconteceu, mãe?”
“O Renato Russo morreu nesta madrugada”, disse ela com uma tristeza dupla: primeiro porque ela aprendera a gostar do meu ídolo graças à minha paixão pela banda, e, de tanto ouvir Legião em casa, ela acabou gostando de várias canções. A outra tristeza foi por já saber qual seria a minha reação pelo impacto daquela trágica notícia.
Parecia um pesadelo. Olhei para minha mãe, incrédulo. Tentei dizer que era mentira, um engano, qualquer coisa. Mas não era engano, ele havia morrido, havia partido cedo demais, deixando milhares de fãs órfãos: legionários que adotaram as palavras do líder da Legião Urbana como filosofia de vida, como um alento diante da fúria do mundo.Para mim, o mundo acabaria naquele momento. Senti uma dor tão grande... As lágrimas e o choro desesperado saiam sem cessar. Corri para o quarto e chorei sufocado no travesseiro. Minha mãe foi me consolar e só me ouvia dizer aos soluços: “Eu quero morrer!...”
Passei toda aquela tarde, noite e os dias seguintes chorando... “O pra sempre sempre acaba”, o Renato mesmo já havia alertado. Mas a gente nunca espera que seja tão rápido assim. Mas “os bons morrem jovens”, era outra verdade dita pelo Renato.
Assim, senti a maior dor da perda desde a morte do meu pai. Senti-me gota d'água, grão de areia.
O meu ídolo havia partido... Deixando assim suas canções, suas palavras eternizadas em cada obra registrada pela Legião Urbana. O homem morreu. Nasceu o mito.
terça-feira, 26 de maio de 2009
Momentos de fé e devoção catártica

No fim da matéria havia uma crítica bem interessante feita por Tom Leão sobre o referido show: "Momentos de fé e devoção catártica”. Procurei hoje pela manhã no meu arquivo de reportagens da Legião e encontrei. Acho essa crítica tão interessante que vou transcrevê-la na íntegra para mostrar bem o que foi esse show que eu fui:
“Legião Urbana não faz mais shows. Faz cultos. O que aconteceu neste fim de semana no Metropolitan foi um congraçamento da banda com seus fiéis. Estes não se importaram se o som deixou a desejar e nem com a pedreira que é entrar e sair doVia Parque em noites de espetáculo. Eles só queriam ver Bispo Renato Russo e seus obreiros, que iniciaram a celebração com música clássica e terminaram jogando ramos de flores na plateia.
Os maiores momentos de fé aconteceram na abertura, com SERÁ, no módulo acústico que destacou GERAÇÃO COCA-COLA e teve seu ápice na quilométrica FAROESTE CABOCLO, cantada com fervor por todos os presentes. Russo foi embora perguntando QUE PAÍS É ESTE, voltou rapidamente e saiu de cena com seu púlpito em meio a luzes celestiais. Só faltou levitar. E todos disseram ao final: ‘Aleluia!’.”
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Metropolitan - 09/10/1994

A banda, então, atacou de SERÁ. Todo mundo pulava e cantava junto. Emocionante! Uma bela abertura. Renato estava usando uma bata branca e calça preta. Acho que ele usou essas roupas em todas as apresentações dessa turnê.
EU SEI foi a próxima, causando também muita emoção ao público. Quando Renato arriscou a sua “dança epiléptica” pela primeira vez, todo mundo começou a gritar. E foi assim sempre que ele começava a dançar. Em seguida a banda tocou LA NUOVA GIOVENTÚ, que Renato cantou e dançou com empolgação, seguido pela banda, que tocava bem rápido, bem pesado, bem punk.
AINDA É CEDO foi bem recebida logo aos primeiros acordes. Renato inseriu trechos da já conhecida GIMME SHELTER, dançou muito e terminou rolando no chão, debatendo-se e simulando uma relação sexual. Os fãs foram ao delírio. Interessante ver como Dado criava um clima melódico nas guitarras e como Bonfá tocava com vigor a sua bateria. Mesmo tocando essa canção há anos, cada performance da banda era diferente, tinha uma carga emocional e uma catarse únicas. Quem conhece as várias versões ao vivo dessa canção concordará comigo.
Renato & cia – ajudados ainda pelos músicos convidados Fred Nascimento (violão e guitarras), Carlos Trilha (teclados) e Gian Fabra (baixo) – atacam em seguida com DANIEL NA COVA DOS LEÕES. Uma pancadaria punk bem diferente do que se ouve na versão mais pop/pós-punk do disco DOIS: pesada, rápida, agressiva, intensa.

Em seguida, Renato anuncia que cantará canções do então novo disco O DESCOBRIMENTO DO BRASIL. Eu fiquei muito feliz, pois este era o meu álbum preferido até então. Continuei cantando emocionado cada verso, diferente de algumas poucas pessoas que só estavam ali para ouvir os clássicos. A banda então tocou VINTE E NOVE, UM DIA PERFEITO e OS ANJOS. Foi um grande momento do show para mim.
Em seguida, pancadaria pura: 1965 (DUAS TRIBOS). Lembro que, quando Renato cantou “Estou do lado do bem com a luz e com os anjos”, os canhões de luz iluminaram todos os fãs.
Seguiu-se um set acústico muito interessante. MONTE CASTELO foi a primeira, deixando todos muito emocionados (inclusive eu). A essa altura, tudo ali parecia um sonho perfeito, e eu torcia para não acordar mais. Essa canção foi tão emocionante que dois jovens entraram no palco após a mesma e tentaram abraçar o Renato, sendo em seguida retirados pelos seguranças. Eu pensei na hora: “meu Deus, o Renato odeia isso, ele vai parar o show! Ele vai embora!”. Que nada! Ele estava tão de bem com a vida, estava tão feliz de estar ali no Rio de Janeiro (ou seja: em casa), diante de tantos fãs, que apenas se desviou e disse: “Uau!”. Antes de tocar a próxima, QUANDO O SOL BATER NA JANELA DO TEU QUARTO, Renato ofereceu a canção “para todos nós e para os dois rapazes que subiram no palco”.
GERAÇÃO COCA-COLA foi tocada em versão acústica, tal como a EMI ouviu a gravação em uma fita cassete em 1984, por intermédio dos Paralamas do Sucesso. Isso foi explicado pelo Renato antes de a mesma ser tocada.
O TEATRO DOS VAMPIROS foi o grande momento do set acústico, em que todo mundo cantou junto. Foi uma das que mais emocionaram o público.
Em seguida, MENINOS E MENINAS foi executada, encerrando com o refrão de O MUNDO ANDA TÃO COMPLICADO: “Vem cá, meu bem, que é bom lhe ver, o mundo anda tão complicado que hoje eu quero fazer tudo por você, tudo por você, tudo por você...”. um belo final para este momento acústico.
Lembro que, em certo momento do show, Renato foi irônico ao dizer: “Eu adoro ser idolatrado! Me amem!”. Logo ele, que tinha pavor à questão do fanatismo religioso de muitos fãs... Quem conhece o Renato sabe que ele estava brincando. Ele assumiu também: “Eu adoro tocar no Rio (os fãs aplaudiram e assobiaram). Eu gosto de tocar em São Paulo também...”, os fãs, brincando, demonstraram não gostar e Renato lembrou: “São Paulo é legal também. Eu canto ‘acho que gosto de São Paulo’...”
Após o momento acústico, novamente a banda voltou a atacar. E nada melhor do que voltar com um clássico: “Há muito tempo atrás, numa terra distante, longe da civilização, existia um jovem rapaz chamado João de Santo Cristo. (Os presentes foram à loucura: era FAROESTE CABOCLO.) Esta é a sua história. Guarde com atenção estas palavras e lembrem-se: as drogas fazem você virar os seus pais”. Mais uma ironia de Russo. Os fãs cantaram a canção do 1º ao último verso, sem parar. Foi incrível! No final, Renato dançava de forma frenética, contagiante.
PAIS E FILHOS foi o clássico seguinte. Todo mundo cantou junto novamente, principalmente no seu refrão redentor. Interessante ver como as guitarras, ao vivo, ficaram mais pesadas, não só nesta mas também em várias outras canções. Legião sempre foi uma banda de rock, embora muita gente fale que é MPB. Os shows provavam o contrário! Ao final dessa canção esperei pelo cover de STAND BY ME, como foi feito na turnê de AS QUATRO ESTAÇÕES, mas isso não aconteceu.
A próxima foi o grande hino da juventude, uma das mais belas canções do rock nacional, com toda certeza: TEMPO PERDIDO. Fiquei tão emocionado! Não lembro se chorei, mas foi uma das que mais me deixaram arrepiado, já na introdução melancólica e nostálgica.
GIZ foi a próxima, com certeza para acalmar os ânimos exaltados dos fãs com tantos clássicos, mas sem deixar de nos emocionar. Ele explicou que na infância ele gostava de rabiscar mesmo o sol; cantou uma musiquinha infantil (não me lembro como era) para explicar como eles faziam para chamar o sol. E disse: “que bobeira, né, gente?”.
EDUARDO E MONICA reiniciou a sessão “clássicos”, numa versão mais moderna, meio blues, com guitarrinha, teclados... Eu já tinha lido numa entrevista que o Renato tivera problemas nos anos 80, quando tocava essa canção. O motivo? Os presentes no show queriam que a banda tocasse a mesma exatamente como era a versão no disco. E o Renato ficava nervoso com isso: “as pessoas querem que eu toque ‘Eduardo e Monica’ exatamente como está no disco isso não é rock’n roll; eu toco como eu quero!”, foi mais ou menos o seu comentário na época. Já no show em que eu fui, tudo ocorreu muito bem, sem problemas: as pessoas cantavam juntas, pulavam, dançavam... Ali, naquele momento, eu presenciava um momento de amor e devoção dos fãs para com a banda e vice-versa.
Renato anunciou: “Eu tô com vontade de tocar uma balada!” e a banda tocou a canção de (des)amor mais linda e melancólica do nosso rock: a reflexiva VENTO NO LITORAL. Posso dizer, com certeza absoluta que esta, ao lado de FAROESTE CABOCLO, foram as duas canções mais ovacionadas pelos fãs. Esta balada foi tão emocionante que pude perceber que muitos namorados se abraçavam mais, criando um clima de ternura e amor.
HÁ TEMPOS animou os fãs, numa versão um pouco mais rápida do que a original. Em seguida veio “ÍNDIOS” em que Renato perguntou: “ A gente sabe tocar “ÍNDIOS” com a banda?”. Todo mundo foi ao delírio. Aí ele brincou, citando a Blitz. Errou a letra, mandou parar e perguntou à banda como era a 2ª estrofe da banda, induzindo os fãs ao erro: puxou de forma errada “Esquecer o que ninguém consegue entender...” e disse que tínhamos errado. Eu fiquei feliz, pois eu disse comigo mesmo “Está errado!” e não cantei. Muitos foram na dele e se deram mal! Quando ele finalmente puxou certo, todo mundo cantou junto e a canção ganhou força a cada estrofe. No final, Dado andou de um lado para o outro com sua guitarra (dançando?), parecia que iria cair. Foi bem legal. Para encerrar a canção, Renato emendou BLUE SUEDE SHOES, do Elvis.
Quando eu ainda recuperava o fôlego, ainda em estado de transe, Renato anunciou: PERFEIÇÃO. Posso dizer que era uma das canções que eu mais estava esperando. E foi demais: a guitarra pesada e distorcida de Dado, a bateria vibrante e meio tribal de Bonfá, a letra declamada de Russo. Quando a canção entrou na última parte (“Venha, meu coração está com pressa...”), os fãs criaram um clima religioso erguendo os braços fervorosamente com se fosse uma oração. Renato cravou mais um cover: LITHIUM, do Nirvana. Pensando nesse momento hoje, vejo que nada era feito isoladamente: a letra começava em forma de protesto, ironia e descrença absoluta diante da nossa realidade, terminava com um hino de esperança para o futuro e tinha, ao vivo, trechos da já citada LITHIUM, em que Kurt Cobain tentava manter a sanidade em meio ao caos de sua vida pública e privada. Havia paralelos interessantes com Renato, que havia vencido uma batalha pessoal contra as drogas e o álcool.
A banda deixou o palco e eu pensei: “Eles têm que voltar!”. Ansiedade e espera. O público gritava “É Legião! É Legião!” e “Uh, uh! É Legião!”. Então, a banda correspondeu às nossas expectativas retornando ao palco. Renato brincou dizendo que o show iria acabar e ameaçou sair novamente.
Atendendo a pedidos, segundo Russo, a banda tocou uma versão bonita e mais curta de ANDREA DORIA. Na verdade, eu estava ouvindo pedidos para FÁBRICA. “Toca FÁBRICA!”, era o que eu ouvi com uma certa frequência.
VAMOS FAZER UM FILME foi mais uma canção do último disco; esta é uma das minhas preferidas e eu queria muito ouvi-la ao vivo! Ficou linda: mais rock, a guitarra ficou mais estridente e, no fim, Renato cantou “eu te amo” à capela, perguntando aos presentes: “Como é que se diz eu te amo?”. Foi perfeito.
Enfim, a última canção exigia uma reflexão diante do cenário brasileiro: QUE PAÍS É ESTE, pesada, agressiva, repleta de ironia. Renato cantou CAJUÍNA, de Caetano; brincou com a ridícula PINTINHO AMARELINHO, do programa trash do Gugu Liberato. Era uma forma de Renato criticar o sensacionalismo e a mediocridade da televisão brasileira. Por isso, Renato cantou essa música e inventou as vídeo-chineladas do Chinelão (mera coincidência com as vídeo-cassetadas do Faustão?), para mostrar como a violência e a futilidade dos programas de auditório são os grandes atrativos da mídia. “Vamos pegar aquela ali, ó! Cuidado aí senão vai cair na porrada!”, interpretava Renato com toda a sua ironia. AQUELE ABRAÇO, sucesso do Gilberto Gil, também apareceu no meio da canção. Por fim, Renato, enquanto a banda tocava, conversava com os fãs dizendo que, para mudar o país, era preciso primeiro mudar a nós mesmos, “ajuda pra caramba!”. E era verdade: não adianta falar em futuro do país se fomentamos a violência e alimentamos tudo o que é grotesco e ao mesmo tempo corriqueiro na sociedade. Era preciso uma mudança de consciência e de atitude no dia a dia. Na última estrofe, Renato pediu para a banda parar de tocar e disse: “Agora, são vocês que vão pra casa, que vão pensar como o país vai ficar rico sem precisar matar ninguém”.
Era o fim do show – que era muito mais que um mero show. Renato havia dito numa entrevista naquela semana para o jornal O Globo: “Quando as pessoas cantam as nossas canções é como uma celebração. Nossos shows não são somente entretenimento. Cantamos músicas que marcam e, de repente, são todas tribais. A gente é a banda de rock mais rock do Brasil”. Isso sintetiza a importância da Legião não apenas para a música brasileira, mas para o pensamento e a ideologia jovem, tão desgastados pela pobreza do rock nacional atual.
A banda saiu de cena e retornou com vários buquês de rosas, que foram jogadas para o público. Infelizmente não peguei nenhuma, mas o mais importante eu havia finalmente presenciado: a magia de ver a Legião no palco. Um momento inesquecível!
Aquele viria a ser o meu primeiro e último show da Legião Urbana. O penúltimo no Rio (uma semana depois, na sexta, dia 14/10/1994, a pedidos da direção da casa, como o próprio Renato havia dito no show em que eu fui, haveria mais uma apresentação) e o antepenúltimo da história da banda (o último seria em Santos, em janeiro de 1995).
Posso dizer que nunca mais verei um show como aquele. Fui para casa com as imagens do show registradas em minha mente e em meu coração. Na volta do ônibus, a lembrança de Renato, Dado e Bonfá no palco me deixavam feliz e realizado. Fiquei ainda em estado de êxtase por mais alguns dias e continuei não sentindo o gosto dos alimentos. Só voltei ao normal uma semana depois.
Hoje vejo que realmente “o pra sempre sempre acaba”, mas os bons momentos sempre serão lembrados com carinho. A minha história de amor com a Legião ratifica essa afirmação.
URBANA LEGIO OMNIA VINCIT.
quinta-feira, 14 de maio de 2009
Show da Legiao Urbana no Rio - eu fui! (09/10/1994)
A imagem de Renato / Dado / Bonfá na minha frente tocando e cantando suas inesquecíveis canções ficará para sempre registrada em minha mente e em meu coração.
Digam o que quiserem sobre a Legião: que são músicos limitados, que o Renato esquecia algumas letras, que as apresentações eram puramente histeria coletiva beirando ao fanatismo... Não importa. Nada se compara a um show da Legião. Bono e seu U2 são incríveis ao vivo? Sim, são. Mas não são a Legião!
Como disse Dado certa vez, “show da Legião, sempre uma nova emoção”. É a pura verdade!
Em algum dia de setembro de 1994 vejo na TV o comercial do show que aconteceria no Rio nos dias 08 e 09 de outubro daquele ano.
“Nossa! A Legião vai tocar no Rio!”, pensei. Era a minha chance de assistir finalmente ao show da minha banda do coração. Eu já tinha todos os discos, legionário convicto, só me faltava assistir a um show da banda.
Eu tinha 17 anos e minha mãe foi comprar o ingresso para mim e para um colega que iria comigo. Quando cheguei do colégio, fiquei decepcionado por saber que nos postos de venda não havia mais ingressos. Tudo esgotado!
Fui falar com meu colega e resolvemos ir à Barra da Tijuca, shopping Via Parque, onde ficava a antiga casa de shows Metropolitan (local do show). Lá fomos nós. Eu estava ansioso demais, não conseguia comer nada, no ônibus só ficava pensando na possibilidade de encontrar os ingressos.
Chegamos lá e havia uma pequena fila. Algumas pessoas estavam comprando vários ingressos. Na nossa vez, pedimos dois ingressos e a atendente disse: “acabou...” e eu pensei “Meu Deus!..”; mas ela continuou: “Só tem para domingo, sábado está esgotado”. Que alívio!
Fomos para casa felizes e ansiosos. Em casa peguei os encartes dos discos e fiquei lendo as letras para poder cantar todas na ponta da língua junto com o Renato. Isso era uma sexta-feira.
No sábado percebi que não conseguia sentir o gosto da comida. Disse para minha mãe que estava sem sal, mas ela disse que era engano meu. Coloquei mais sal: nada – não sentia gosto da comida. Percebi que estava sofrendo de ansiedade e perdi o apetite e não sentia o gosto dos alimentos. Estava entrando em transe, ficava todo arrepiado só de imaginar o que viria.
No domingo a mesma coisa: não sentia gosto de nada. Fiquei aguardando chegar a hora, mas o tempo não passava! Meu time do coração (Fluminense) iria jogar naquele dia contra o Vasco, mas eu não me importava: o grande jogo era no Metropolitan! Depois fui saber que o jogo foi 0 x 0 (lembro que um colega sugeriu que, em vez de eu comprar ingresso para ver a Legião, eu poderia ir ver o Flu no Maracanã). Sem comentários...
Meu colega e eu fomos de ônibus, que estava lotado. O trânsito estava meio complicado, mas chegamos lá sem grandes transtornos!
Escolhi um lugar legal para ficar, bem de frente, a alguns metros do palco. Havia muitos jovens com camisas da Legião, mas também de outra bandas como Ramones, Iron Maiden, Sepultura. Todas as tribos queriam ver a Legião no palco, queriam reverenciar a grande banda de rock do Brasil – “A banda de rock mais rock do Brasil”, como dissera Renato referindo-se à própria Legião numa entrevista para o jornal O Globo naquela semana.
As horas passavam e o show não começava... Fiquei cada vez mais ansioso!
Enfim, o local começou a ficar escuro, as pessoas começavam a gritar “É Legião! É Legião!” e eu pensei: “vai começar!”
O sistema de som apresentou: “Metropolitan apresenta LEGIÃO URBANA!!!”
Todo mundo começou a gritar, parecia que o local estava mais cheio ainda (pois todo mundo começou a se aproximar mais e mais, quase não dava para se mexer).
Como o Renato era fã de música clássica, a introdução teve início com um instrumental que não sei o nome, mas já era emocionante, deu um clima legal!
Quando acabou, a cortina se abriu e os músicos entraram no palco, indo para seus postos. Renato surgiu logo em seguida segurando algumas flores nas mãos e, num sorriso, disse: “Boa noite! Vocês estão prontos?”
Precisava responder? Mas eu murmurei, rindo de felicidade: "É claro que estou!"
A partir dali, nada mais parecia real. Foi uma experiência mística, indescritível, única!
Sei que partes desse show passaram na Bandeirantes e mais tarde um disco duplo com o título “Como é que se diz eu te amo” foi lançado pela EMI, mas mesmo assim nada se compara com o que vivi naquele momento, naquelas pouco mais de duas horas de apresentação.
Ainda hoje, quando me lembro desse dia, eu fico arrepiado e me vem à mente imagens bem nítidas da apresentação legionária.
Na próxima postagem tentarei ser o mais fiel possível para descrever esse show memorável...
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Dois, segundo disco da Legião Urbana – um clássico


O disco abre com Daniel na Cova dos Leões, com um título bíblico e letra que Renato considerava explicitamente homossexual. “Essa música fala de sexo oral”, diria mais tarde. Acrilic on Canvas é uma balada sofisticada, ideal para os mais sentimentais, que trata sobre saudade após ao fim de um relacionamento. Eduardo e Mônica é a 1ª historinha a aparecer num disco da Legião, com personagens, começo, meio e fim, mostrando o amor na vida de dois jovens totalmente diferentes um do outro. Bem mais tarde Renato chegou a dizer que a Mônica da história era uma amiga sua de Brasília, Leonice Coimbra; já Eduardo era ele mesmo, “só que menos bobo”. Tempo Perdido foi descrita pelo antropólogo Hermano Vianna – num texto que ele escreveu para a caixa lançada em 1995 com os cds remasterizados da banda – como “um dos momentos mais lindamente melancólicos da história da música pop”. Essa canção foi a música de trabalho do disco, considerada um hino para a juventude com seus belos versos e instrumental que foi acusado de copiar o som da banda inglesa The Smiths, grande ícone dos anos 80, que Renato era fã. O clipe dessa canção trazia fotos de jovens flagrados pouco antes da fama – gente como John Lennon, Janis Joplin, Jimi Hendrix entre outros ídolos do Renato.
terça-feira, 14 de abril de 2009
A formação da Legião Urbana e o primeiro LP
Cansado da carreira-solo e com a nova possibilidade que o Aborto Elétrico tinha aberto para as novas bandas que surgiam em Brasília, Renato – em 82 – ficou poucos meses apresentando-se como O Trovador Solitário. 



